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Carne de laboratório em breve nos supermercados?

46950175_303Entre as diversas maneiras para reduzir a pegada carbônica humana, costuma-se sugerir segundas-feiras sem carne ou vegetarianismo. Mas, se a questão é renunciar ao consumo de animais, uma alternativa se anuncia, à medida que se torna mais viável a comercialização de carne cultivada em laboratório.

Em dezembro de 2018, a empresa Aleph Farms, sediada em Israel, apresentou ao mundo o primeiro bife criado em laboratório. Ao produzir o fino pedaço de carne, a empresa conseguiu superar um dos maiores desafios enfrentados por essa jovem indústria: o cultivo em laboratório de um produto cárneo que integre os tecidos muscular e adiposo.

“A carne é um tecido complexo, não apenas um aglomerado de células”, disse Didier Toubia, cofundador e diretor executivo da Aleph Farms. “São vários tipos de células interagindo entre si para formar uma estrutura tridimensional muito específica.”

Nos Estados Unidos, alguns meses antes, a Food and Drug Administration e o Departamento de Agricultura anunciaram que “supervisionariam conjuntamente a produção de produtos alimentícios cultivados a partir de células derivadas de gado e aves” – um sinal de que a comercialização dessas carnes pode não estar muito distante.

Carne in-vitro: professor Mark Post mostra hambúrguer cultivado a partir de células de vaca
Carne in-vitro: primeiro hambúrguer de laboratório custou mais de 300 mil dólares para ser produzido em 2013

Mas qual é a possibilidade realista de que a humanidade vá substituir as proteínas animais diárias por carne cultivada em placas de Petri? A carne in vitro vem sendo pesquisada há anos, desde que a Nasa começou a estudar o cultivo de frutos do mar e carnes no início dos anos 2000.

A primeira produção bem sucedida, porém, foi um hambúrguer feito num laboratório da Universidade de Maastricht a partir de células-tronco extraídas do pescoço de uma vaca. Ser o primeiro a cultivar carne sintética não saiu barato: o hambúrguer custou mais de 300 mil dólares.

Por sua vez, o bifinho da Aleph Farms custa 50 dólares para ser produzido. atualmente, pelo menos seis empresas estão trabalhando numa variedade de carnes “cultivadas”, desde salsicha de porco a foie gras e nuggets de frango.

Benjamina Bollag, diretora executiva e cofundadora de uma dessas empresas, a Higher Steaks, prevê que em 2019 a maioria das firmas que trabalham nesse espaço focarão no aperfeiçoamento de seus produtos e na redução dos preços.

“Acho que realmente veremos mais gente se direcionando para a pequena escala e talvez mirando um restaurante com que trabalhar”, comentou à DW. “Ou veremos os primeiros requerimentos de regulamentação nos diversos países.”

Consumo de carne cresceu em países como China e Índia, aumentando a demanda global
Consumo de carne cresceu em países como China e Índia, aumentando a demanda global

Melhor para o meio ambiente?

Com perspectivas de um aumento de 70% do consumo global de carne, nas próximas três décadas, e de uma população do planeta de 9,6 bilhões em 2050, as carnes cultivadas em laboratório poderiam ajudar a compensar os custos ambientais.

A pecuária responde por 14,5% de todas as emissões de gases de efeito estufa ligadas à atividade humana, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). A carne bovina representa o maior emissor desse setor, que também ocupa a maioria das terras agrícolas, tanto para o pastoreio como para as culturas a serem usadas como ração.

Embora o cultivo de carne em laboratório consuma muita energia, um relatório do Fórum Econômico Mundial divulgado nesta quinta-feira (03/01) sugere que “à medida que os processos de produção amadurecem e a produção aumenta, alavancando o fornecimento de energia renovável e delimitando a produção nas cidades”, os benefícios ambientais da carne cultivada em laboratório podem ser significativamente intensificados.

No entanto, não é unânime a noção de que a carne in vitro vá realmente reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Carolyn Mattick, bolsista de Política de Ciência e Tecnologia da Associação Americana para o Avanço da Ciência, ressalta a grande incerteza em torno dos impactos ambientais dos processos de fabricação atuais e futuros.  

Até que sejam realizadas análises de ciclo de vida de alta qualidade, revisadas pela comunidade científica, sobre práticas de produção específicas, realmente não podemos quantificar os impactos ambientais de produtos à base de células ou compará-los com o da criação de animais.”

Gado
Para cada 15 gramas de proteína bovina são necessários 100 gramas de proteína vegetal

Melhor para os humanos?

Uma da grandes promessas da proteína animal in vitro é a redução do número de casos de doenças como salmonela, Escherichia coli  e síndrome vaca louca. Quando a carne é cultivada em laboratório, o risco de contaminação bacteriana é reduzido extremamente, ou até completamente.

A carne à base de células tampouco exigiria o uso de antibióticos e hormônios de que os produtores industriais de gado atualmente dependem. “Acreditamos que seja uma coisa realmente importante”, aponta Toubia. “Essas são vantagens de que não se fala.”

Além desses benefícios concretos à saúde, as empresas podem ajustar certos fatores da carne, como o teor geral de sal ou a proporção de gordura saturada e insaturada.

“O aspecto que de fato mais depende do que o consumidor quer, é fazer carne mais saudável”, diz Benjamina Bollag. “Então substituindo a gordura, acrescentando diferentes vitaminas, pode-se adicionar muitas coisas. É possível substituir as gorduras saturadas por ômega 3.”

De acordo com Toubia, a textura realista e o cheiro do bife da Aleph Farms são promissores para o futuro da carne cultivada em laboratório. Neste ano, a companhia planeja trabalhar no aumento do tamanho dos cortes, melhorando um pouco o sabor e reduzindo custos.

“Ainda temos pelo menos dois anos de desenvolvimento até chegarmos a um produto comercial, e depois provavelmente mais dois para transferi-lo à produção e ampliá-lo até as quantidades maiores necessárias à atividade comercial”, enumera o diretor da Aleph Farms.

Só aí o produto estaria pronto para as prateleiras dos supermercados. Portanto, embora as perspectivas de ver peito de frango e almôndegas de laboratório na mercearia local possam ser atraentes, é ainda cedo demais para programar o próximo churrasco in vitro.

Fonte: Deutsche Welle

Organismos encontrados em antigo solo irlandês impedem o crescimento de superbactérias

Pesquisadores analisaram um solo irlandês popular por abrigar propriedades medicinais e descobriram que ele contém uma cepa de bactérias anteriormente desconhecida eficaz contra quatro das seis superbactérias resistentes a antibióticos, incluindo a Staphylococcus aureus resistente à meticilina.

As superbactérias resistentes aos antibióticos podem ser responsáveis por milhões de mortes no mundo todo até 2050, segundo a Organização Mundial da Saúde. A OMS descreve o problema como “uma das maiores ameaças à saúde global, segurança alimentar e desenvolvimento hoje”.

A nova linhagem de bactérias foi encontrada por uma equipe da Universidade de Swansea (Reino Unido), formada por pesquisadores do País de Gales, Brasil, Iraque e Irlanda do Norte.

A cepa foi nomeada Streptomyces sp. myrophorea.

Sabedoria tradicional

O solo analisado fica em Fermanagh, na Irlanda do Norte, em uma região de pastagem alcalina cuja terra tem a reputação de possuir propriedades curativas. Ela foi anteriormente ocupada pelos druidas, cerca de 1500 anos atrás, e por povos neolíticos de 4000 anos atrás.

A busca por antibióticos substitutos para combater a multirresistência levou os pesquisadores a explorar novas fontes, incluindo medicamentos folclóricos: um campo de estudo conhecido como etnofarmacologia.

Um dos membros da equipe de pesquisa, Dr. Gerry Quinn, morou anteriormente no Condado de Fermanagh e tinha conhecimento das tradições de cura da área.

Tradicionalmente, uma pequena quantidade do solo era embrulhada em tecido de algodão e usada para curar diversas doenças, de dor de dente e garganta a infecções no pescoço.

Descoberta importante

As principais descobertas da pesquisa foram que a cepa recém-identificada de Streptomyces inibe o crescimento de quatro dos seis piores agentes patogênicos resistentes a múltiplas drogas, identificados pela OMS como responsáveis por infecções nosocomiais: enterococo resistente à vancomicina; Staphylococcus aureus resistente à meticilina; Klebsiella pneumoniae; e Acinetobacter baumanii.

Além disso, inibe tanto bactérias gram-positivas como gram-negativas, que diferem na estrutura da sua parede celular; geralmente as bactérias gram-negativas são mais resistentes aos antibióticos.

Ainda não está claro qual componente da nova cepa impede o crescimento dos patógenos, mas a equipe já está investigando isso.

“Nossos resultados mostram que folclore e medicamentos tradicionais merecem ser investigados na busca por novos antibióticos. Cientistas, historiadores e arqueólogos podem ter algo para contribuir para essa tarefa. Parece que parte da resposta a este problema muito moderno pode estar na sabedoria do passado”, disse o professor Paul Dyson, da Escola de Medicina da Universidade de Swansea.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica.

Fonte: Hypescience

Extinção de aves no Brasil é preocupante, diz ONU Meio Ambiente

Quatro espécies brasileiras estão entre as oito aves declaradas extintas no mundo ao longo desta década, de acordo com um levantamento da BirdLife International. A instituição aponta ainda que uma quinta espécie, a emblemática ararinha-azul, desapareceu da natureza, sendo encontrada apenas em cativeiro. A eliminação desses animais é considerada preocupante pela ONU Meio Ambiente, que alerta para a importância das aves no equilíbrio dos ecossistemas.

Quatro espécies brasileiras estão entre as oito aves declaradas extintas no mundo ao longo desta década, de acordo com um levantamento da BirdLife International. A instituição aponta ainda que uma quinta espécie, a emblemática ararinha-azul, desapareceu da natureza, sendo encontrada apenas em cativeiro.

A eliminação desses animais é considerada preocupante pela ONU Meio Ambiente, que alerta para a importância das aves no equilíbrio dos ecossistemas.

Em pesquisa realizada ao longo de oito anos, a ararinha-azul, a arara-azul-pequena, o caburé-de-pernambuco, o limpa-folha-do-nordeste e o gritador-do-nordeste tiveram seu status de conservação revisado pela BirdLife International. A ONG recomendou em setembro último que as espécies fossem acrescentadas à lista de extinções presumidas ou confirmadas, elaborada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

“A gente está empobrecendo o planeta, mas não foi da noite pro dia”, lamenta Pedro Develey, ornitólogo e diretor-executivo da SAVE Brasil, instituição que representa a BirdLife no país.

Para o especialista, o fim das espécies brasileiras é o resultado de anos de degradação do meio ambiente e consequente destruição do habitat natural dessas aves, sobretudo na Mata Atlântica da região Nordeste.

Em todo o Brasil, o bioma — que cobria 15% do território nacional — sofreu perdas de 1,9 milhão de hectares no período 1985-2017, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica. A extensão de floresta destruída equivale à área total do estado de Sergipe. A mesma organização estima que restaram apenas 12,4% das florestas originais do bioma no país.

O caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum) era uma pequena espécie de coruja, com tamanho em torno de 10 cm, endêmica desse tipo de vegetação tropical úmida, bem como do estado que lhe dava nome. Ironicamente, o animal era o mascote do Sistema de Informações Geoambientais de Pernambuco.

Situação semelhante era a do limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi), encontrado apenas em dois lugares em todo o planeta — o município de Murici (AL) e a Reserva Frei Caneca, em Jaqueira (PE). Nas duas localidades, também em trechos de Mata Atlântica, o animal foi avistado pela última vez em 2007 e 2011, respectivamente. O gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti) também era endêmico das duas regiões.

Hoje, os níveis de desmatamento da Mata Atlântica no Brasil são os menores já registrados pela SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) — em torno de 12,5 mil hectares destruídos no biênio 2016-2017 em todo o país. A área é bem menor do que a média de 100 mil hectares anuais para o período de 1985 até 2000.

Mas os anos de desflorestamento, que remontam a períodos anteriores às medições do INPE e da fundação, contribuíram para fragilizar os ecossistemas remanescentes. A destruição da Mata Atlântica data do início da colonização portuguesa, com a derrubada maciça do pau-brasil, e acompanha ciclos econômicos e agrícolas da história nacional, principalmente o avanço da cana-de-açúcar em diferentes momentos, incluindo na segunda metade do século 20.

Develey explica que atualmente alguns trechos de Mata Atlântica no Nordeste são formados por uma vegetação depauperada, onde já houve a derrubada de árvores importantes para a integridade do ecossistema. Essa cobertura vegetal está mais vulnerável a uma degradação natural — tempestades, por exemplo, podem tombar novos troncos, modificando a quantidade de luz e de vento que circulam pela floresta e transformando as interações dos animais com o meio ambiente.

“O fragmento (de mata) está fadado à destruição, mesmo se você não tirar mais nenhuma folha, nenhuma árvore de lá”, afirma o pesquisador.

Daí, a importância de estratégias de conservação e manejo ambiental que vão além da simples demarcação de áreas protegidas — como o enriquecimento da vegetação e a retirada de cipós e espécies que vêm substituir formações de plantas nativas.

O relatório é um alerta para evitar novas extinções no Brasil, país que abriga 1.919 espécies de aves e é a nação com a segunda maior diversidade de aves do mundo, de acordo com a SAVE.

O país, porém, também registra elevado número de espécies em risco. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) apontava em 2016 que 1.173 espécies da fauna brasileira estavam ameaçadas de extinção — entre elas, 234 aves.

ONU: extinção é preocupante para o equilíbrio dos ecossistemas

Matheus Couto, do Centro Mundial de Monitoramento da Conservação (WCMC), da ONU Meio Ambiente, avalia como preocupante a extinção das aves brasileiras e lembra que a fauna tem protagonismo na manutenção da flora.

“A maior parte da vegetação, das árvores no Cerrado, na Amazônia, na Mata Atlântica, elas dependem de espécies para dispersar sementes. É uma estratégia para que o ecossistema fique em equilíbrio”, explica.

Frutas coloridas, lembra o especialista, atraem morcegos e pássaros. Os animais comem a polpa, ingerem a semente e acabam provocando o cultivo natural da planta.

“Essas extinções vão reduzindo a capacidade dessas espécies vegetais e árvores, de (se) reproduzir”, diz Couto, que é ponto focal do WCMC no Brasil.

“Isso é muito perigoso”, completa o especialista, pois pode alterar a extensão e a manutenção dos ecossistemas, interferindo na natureza e nos padrões climáticos de forma mais ampla.

Araras extintas

Residente de outro bioma brasileiro, a Caatinga, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) tem sua extinção creditada não apenas à redução de seu habitat natural, como também à caça e captura, de acordo com Develey.

O animal teria sido avistado pela última vez em meio silvestre ao final de 2000 — uma aparição em 2016, em Curaçá (BA), foi associada à libertação de uma ave de cativeiro.

Mas ainda há esperança para esse símbolo da fauna brasileira, eternizado na animação Rio, do diretor Carlos Saldanha, como o protagonista Blu. Existem em torno de 150 espécimes da ave mantidos em cativeiro no Brasil e em outros países. O Ministério do Meio Ambiente tem planos para reintroduzir na natureza 50 ararinhas-azuis, vindas da Alemanha, já em 2019. A reinserção da espécie deve acontecer no mesmo município de Curaçá, no norte da Bahia.

A arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus) habitava regiões do Paraná e mais ao sul do Brasil, além de ser observada também no norte da Argentina, sul do Paraguai e nordeste do Uruguai. A perda de palmeiras necessárias à sobrevivência da espécie, assim como a caça e o comércio do animal levaram a declínios na população.

As cinco aves brasileiras analisadas pela BirdLife já haviam sido consideradas extintas na natureza pelo Ministério do Meio Ambiente, mas eram avaliadas como criticamente em perigo pela IUCN. Em 2019, a União Internacional deve reconhecer formalmente os novos status recomendados, em uma atualização da sua Lista Vermelha de espécies ameaçadas.

Fonte: ONU

O impacto financeiro do aquecimento global em 2018

Tão certo quanto o especial de Natal do Roberto Carlos na TV, o aumento anual das emissões de CO2 segue implacável desde a Revolução Industrial. Em 2018, mais uma vez, a humanidade bateu seu recorde: mesmo com os esforços internacionais – leia-se Acordo de Paris – pressionando os países a diminuir a poluição do ar, fechamos o ano com um saldo de 37 bilhões de toneladas. Um total 2,7% maior em relação ao ano anterior.

É normal que as temperaturas da Terra oscilem de tempos em tempos. Muito antes de existir Homo sapiens para contar história, a Terra já havia passado por várias glaciações. Mas sabe-se hoje que a ação humana desregulou esses ciclos, e acelerou a chegada de um período de calor mais intenso.

O principal resultado disso é a maior incidência de desastres ambientais. Pode ser que você não se lembre, mas 2018 registrou vários casos do tipo em todo o mundo – entre enchentes, incêndios de grandes proporções, furacões, secas e muito, muito calor. A tendência é que tudo seja cada vez mais comum.

Além de fazer crescer o número de mortes, desabrigados e engrossar o total de perdas materiais, problemas causados por alterações drásticas do clima acabam fazendo estrago também no bolso dos países. É o que mostrou um relatório elaborado pela organização cristã de ajuda humanitária Christian Aid, que tem sede no Reino Unido.

Segundo o levantamento “Contando os custos”, elaborado pela entidade, os 10 eventos mais devastadores de 2018 ligados ao aumento das temperaturas tiveram danos econômicos que ultrapassaram US$ 1 bilhão.

Quatro destes, ainda, superaram a marca dos US$ 7 bilhões. Integram o grupo os furacões Florence e Michael, que arrasaram o sul dos Estados Unidos entre setembro e outubro deste ano. Contando somente o prejuízo financeiro, estima-se que os fenômenos tenham tido impacto de US$ 17 milhões e US$ 15 milhões, respectivamente. Segundo pesquisas, as chuvas do período tiveram intensidade até 50% maior graças à interferência humana no clima.

Ainda nos EUA, os incêndios que atingiram a Califórnia em novembro e deixaram dezenas de mortos somam impacto de US$ 7,5 bilhões. O mesmo montante vale também para a onda de secas da Europa, que teve início ainda em maio de 2018 – como destacou a BBC, mudanças climáticas causadas pelo homem dobram a chance de eventos do tipo. Completam a lista as enchentes entre junho e julho no Japão, que tiraram 250 vidas e oneraram o país em pelo menos US$ 7 bilhões.

O top 10 de desastres com mais impacto financeiro conta, ainda, com ondas de enchentes na China (US$ 3,9 bilhões) e Índia (US$ 3,7 bilhões), e secas na Argentina (US$ 6 bilhões), África do Sul (US$ 1,2 bilhão) e Austrália (US$ 5,8 bilhões). Nas Filipinas e na China, os custos relativos à passagem do tufão Mangkhut podem ter chegado aos US$ 2 bilhões.

E a tendência é que, para os próximos anos, o cenário seja parecido. “Apesar do impacto que alterações climáticas extremas tiveram no mundo, o ano de 2018 não deve ser exceção. Na verdade, é provável que seja um ano qualquer”, diz o relatório da Christian Aid. “Projeta-se para 2019  a ocorrência do fenômeno El Niño, que causa um aumento natural nas temperaturas, fazendo com que o ano que vem seja, ao que tudo indica, ainda mais quente”.

De acordo com Organização Mundial de Meteorologia, 2018 foi o quarto ano mais quente da história, com médias de temperatura globais até 1ºC mais elevadas do que costumavam ser na era pré-industrial.

Fonte: Super Interessante

5 produtos do cotidiano que são uma ameaça ao meio ambiente – e alguns, à sua saúde

Palau se tornou o primeiro país a proibir o uso de protetores solares para proteger seus vulneráveis ​​recifes de coral. Para muitos consumidores, os efeitos nocivos do produto talvez sejam uma novidade. Mas pesquisadores acreditam que os 10 ingredientes químicos encontrados na composição dele são altamente tóxicos para a vida marinha e podem tornar os corais mais suscetíveis à descoloração. O protetor solar, porém, está longe de ser o único produto do cotidiano com impactos negativos sobre o meio ambiente.

A seguir, confira outros cinco, que poderão lhe surpreender. Alguns deles, com riscos inclusive à saúde:

As pílulas anticoncepcionais

Um estudo realizado em 2016 na Suécia encontrou evidências de uma desvantagem incomum nas pílulas anticoncepcionais. Lina Nikoleris, autora do estudo, descobriu que o hormônio etinilestadiol (EE2), uma versão sintética do estrogênio encontrado em algumas pílulas, estava mudando o comportamento e a genética de alguns peixes.

Quando liberado na água como um resíduo, o EE2 demonstrou ser a causa de mudanças no equilíbrio genético de peixes como o salmão e a truta, que têm mais receptores de estrogênio que os humanos.

O estudo também identificou que esse hormônio torna mais difícil para os peixes capturar alimentos. “Estudos anteriores mostraram que os peixes também desenvolvem problemas para procriar”, disse Nikoleris.

“Isso pode levar à extinção de toda uma população de peixes, assim como a outras consequências para ecossistemas inteiros.”

Abacates

Também há más notícias para os amantes do abacate. Este alimento também é prejudicial ao meio ambiente. A organização holandesa Water Footprint Network, que faz campanha pelo uso mais eficiente da água, calculou que, para cultivar um único abacate, são necessários cerca de 272 litros de água. Os efeitos disso são devastadores para as regiões onde a fruta é cultivada.

Em 2011, uma investigação conduzida pelas autoridades de água no Chile encontrou pelo menos 65 plantações de abacate que desviam ilegalmente rios e outras fontes de água para irrigação. Há quem culpe esses esses agricultores por uma forte seca que atingiu a região e forçou moradores a escolherem entre usar a água para beber ou tomar banho.

Abacaxis

Outro alimento popular também engrossa a lista dos que impactam o meio ambiente: o abacaxi. A chamada “rainha das frutas” é cultivada a um ritmo que em algumas partes do mundo está afetando negativamente o planeta.

Na Costa Rica, um dos maiores produtores mundiais de abacaxis, milhares de hectares de florestas foram desmatados para dar lugar a essas frutas. A Federação de Conservação da Costa Rica diz que florestas inteiras desapareceram da noite para o dia, causando danos irreversíveis.

Os abacaxis são produzidos em grandes monoculturas – a produção intensiva de um único cultivo – e exigem uma grande quantidade de pesticidas, que também podem ser prejudiciais ao meio ambiente.

Xampus

O óleo de palma é um dos óleos vegetais mais eficientes e versáteis do planeta, mas seu uso generalizado levou a um desmatamento expressivo.

Em um relatório de 2018, o grupo de conservação WWF alertou que a transformação de florestas tropicais e turfeiras em plantações de óleo de palma liberou “enormes quantidades de dióxido de carbono, alimentando mudanças climáticas e destruindo o habitat de espécies como os orangotangos”.

Enquanto muitos estão cientes da presença de óleo de palma em produtos comestíveis, como chocolate, margarina, sorvete, pão e biscoitos, menos gente conhece o seu papel em diversos produtos para o lar.

No xampu, por exemplo, o óleo de palma é usado como uma forma de condicionador. O mesmo óleo é encontrado em produtos como batons, detergentes para a roupa, sabonetes e pastas de dente.

Aromatizantes

Não é apenas com a poluição do ar que as pessoas devem tomar cuidado. A má qualidade do ar dentro de casa, causada por produtos domésticos do dia-a-dia, como os aromatizantes, é tão ou mais preocupante.

Os aromatizantes muitas vezes contêm uma substância química chamada limoneno, comumente usada para dar um perfume cítrico ao ambiente, e também é usado em alimentos.

Não é o fato de conter um produto químico, por si só, que faz dele um grande perigo para a saúde. Mas uma vez liberado no ar ele pode se tornar um problema.

Um experimento realizado pela BBC identificou que quando o limoneno reage com o ozônio presente no ar, produz formaldeído – um dos produtos químicos de uso atual mais comuns e cercados de riscos.

De acordo com informações publicadas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a exposição a altas concentrações desse produto pode causar falta de ar, salivação excessiva, espasmos musculares, coma e eventualmente a morte.

O formaldeído também é considerado cancerígeno para humanos.

FONTE: BBC

Chapada dos Veadeiros deve receber R$ 14 milhões de inciativa privada

Consórcio tem como objetivo melhorar a infraestrutura do parque, com área de alimentação e transporte interno. Porém haverá cobrança de ingresso

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, localizado entre os municípios de Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante e Colinas do Sul, deve receber R$ 14 milhões de inciativa privada. O contrato de prestação de serviços foi assinado nesta terça-feira (18) pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o consórcio entre as empresas Parquetur Participações S.A e Socicam Terminais Rodoviários e Representações.

Segundo o chefe do parque, Fernando Tatagiba, o consórcio foi o vencedor do certame e tem como objetivo melhorar a infraestrutura do parque, com área de alimentação, loja de conveniência, espaço de campismo e transporte interno administrados pela iniciativa privada. De acordo com o edital de concessão, o contrato tem duração de 20 anos. “Nós teremos um parceiro para melhorar ainda mais nosso serviços. Os visitantes vão encontrar a partir do próximo ano uma estrutura como as que se vê pelo mundo a fora”, disse.

O consórcio terá, ainda, que implementar e manter exposição permanente no Centro de Visitantes sobre as riquezas naturais do parque e garantir a adequação das vias de acesso internas, das trilhas e da sinalização. Tatagiba explicou ainda que os serviços de gestão, conservação, proteção e pesquisa, no entanto, continuam sob o controle administrativo e territorial do governo. “É importante deixar claro que isso não é uma privatização. A gestão do parque continua sendo desenvolvida por analistas ambientais do ICMBio. O que está sendo concedido são serviços de apoio ao parque nacional”, garantiu.

De acordo com Tatagiba, com os investimentos virão as reformas, sendo a primeira delas a reforma do Centro de Visitantes. “Em seguida a concessionária deve reforçar o manejo das trilhas e dos atrativos, além de uma reforma na estrutura administrativa e alojamentos, que abrigam voluntários, pesquisadores e brigadistas”, explicou. A previsão é de que antes da alta temporada, que ocorre no mês de julho, o parque já esteja reformado.

O chefe do parque explicou ainda que a partir do próximo ano haverá cobrança de ingresso para visitantes. O valor dos ingressos deve variar de R$ 3,00 a R$ 34,00. Sendo estabelecido o valor de R$ 3,00 pra moradores da região da Chapada dos Veadeiros, R$ 17,00 para brasileiros, R$ 34,00 para estrangeiros e R$ 26 para os países membros do Mercosul. “A concessionária será responsável pela cobrança dos ingressos com um sistema informatizado, feito com muita segurança e transparência”, concluiu.

(FONTE: Site Mais Goiás)

Começa recuperação do Parque Estadual do Morro da Serrinha

Projeto, que inclui plantio e manutenção, será realizado até março de 2020

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima) acompanhou o início das atividades relacionadas ao plantio de mudas para recuperação de área degradada no Parque Estadual Morro da Serrinha, na divisa entre os setores Pedro Ludovico e Serrinha. Serão plantadas cinco mil mudas na área pela empresa In Plant Paisagismo. O projeto, que inclui plantio e manutenção, será realizado até março de 2020 e prevê atividades de roçagem, abertura de covas, capina, etc.

Segundo Hwaskar Fagundes, secretário da Secima, o plantio das mudas é uma compensação ambiental voluntária feita pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. O projeto consiste também no manejo de espécies por dois anos. Hwaskar argumentou que este trabalho será completado pelo projeto de implantação do Parque Estadual Morro da Serrinha.

Parque

A implantação do parque estadual na área permanente do Morro da Serrinha tem por finalidade a proteção e recuperação das áreas de interesse ambiental sob domínio do Estado de Goiás. A requalificação do local pretende recuperar e incrementar a preservação do Cerrado, mas também criar um espaço de lazer, com pistas de caminhada, trilhas, mirantes, iluminação adequada e locais de alimentação.

Um dos pontos mais altos da capital, o morro é uma área do governo estadual e conta com 108 mil metros quadrados e 819 metros de altitude. Com a implantação do parque o local ganhará com pista de caminhada, iluminação, trilhas e a preservação e conservação da flora. O morro abriga dezenas de espécies de árvores nativas do Cerrado.

(FONTE: Site Mais Goiás)

Seminário discute a sustentabilidade da Reserva da Biosfera do Cerrado em Goiás

                                                                  WhatsApp Image 2018-12-13 at 21.10.15
Será realizado nesta segunda-feira (17/12), o 3º Seminário Regional Diálogos para a Sustentabilidade na Reserva da Biosfera do Cerrado em Goiás, no auditório Jaime Câmara do Palácio Pedro Ludovico Teixeira. O evento terá início às 8h30 e é uma promoção do Governo de Goiás, por meio da Secima, do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera do Cerrado Goiás e da Comissão Estadual para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CEPDS Goiás). Conta ainda com o apoio do Instituto Espinhaço. 
Entre os temas que serão debatidos estão: Aliança para o Desenvolvimento Socioeconômico Sustentável, Fortalecimento dos Serviços Ecossistêmicos e Rede de Cooperação no Território da Reserva da Biosfera do Cerrado. O Seminário tem ainda como parceiros o Sistema Federação das Indústrias (Fieg), a Federação da Agricultura (Faeg), Universidade Federal de Goiás (UFG), Ministério do Meio Ambiente e Municípios do Território da Reserva da Biosfera do Cerrado em Goiás. 
Rede mundial
 
Criado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1972, as Reservas da Biosfera compõem uma rede mundial de áreas, cujas finalidades são a pesquisa cooperativa, a conservação do patrimônio natural e cultural e a promoção do desenvolvimento sustentável. A Rede Mundial de Reservas da Biosfera é composta por 631 Reservas da Biosfera localizadas em 119 países. 
 
No Brasil, podem ser destacadas as Reservas da Biosfera da Mata Atlântica e Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, do Cerrado, do Pantanal, da Caatinga, da Amazônia Central e da Serra do Espinhaço. Essas reservas desempenham o papel de promover a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais, assim como de disseminar os conhecimentos científicos, tradicionais e culturais em suas regiões.
 
A Reserva da Biosfera do Cerrado teve três fases que se situam em regiões do Distrito Federal, Goiás, Tocantins, Maranhão e Piauí. A abrangêcia de seus trabalhos é a implantação do desenvolvimento sustentável da Reserva, privilegiando também a conservação dos remanescentes ainda intocados de Cerrado, a recuperação de áreas alteradas de de corredores ecológicos já fortemente degradados, com perdas importantes de solo e de ricas aguadas que, em algumas regiões, já veem ameaçadas suas perenidades.
 
O bioma Cerrado, devido às formas de exploração agrícola e pecuária de forte impacto ambiental já apresenta uma grande perda de sua rica diversidade bilógica, combinada a um conjunto de paisagens que precisa ser conservado.
 
Serviço
Data: 17/12 (segunda-feria)
Horário: 08h00
Local:  auditório Jaime Câmara do Palácio Pedro Ludovico Teixeira – Nono Andar. 

Dezembro Verde contra o abandono de animais

dezembro_verde_2.fw (1)O abandono de animais é uma prática cada vez mais frequente no Brasil. Em época de férias, como agora, o problema aumenta já que as pessoas acabam comprando um animal por impulso para presentear um membro da família, entretanto, o presente nem sempre é bem-vindo ou viável para aquela residência. Médicos-veterinários relatam que vários tutores abandonam seus pets em clínicas veterinárias e hotéis para cachorros, especialmente nesta época de festas. Para alertar a sociedade sobre a triste situação do abandono de animais, várias instituições, entre elas o CRMV-GO, promovem a campanha Dezembro Verde.

A secretária-geral do CRMV-GO, Méd. Vet. Ingrid Bueno Atayde Machado, explica os pilares da Posse Responsável de Animais, um conjunto de atitudes que ajudam a cuidar melhor do seu animal de estimação e evitar o abandono.

1 – Um novo membro para sua família – Criar um animal de estimação é uma atitude que envolve toda a família, mudando seus hábitos e o seu dia a dia. É fundamental ter consciência de que o animal vai gerar custos com alimentação e serviços veterinários, por exemplo, e que vai viver, em média, 12 anos. Para isso, a família precisa de espaço e tempo para cuidar do novo morador. Não é raro que cães pequenos vivam por mais de 15 anos, e, com a idade, doenças como câncer, problemas articulares e de coluna podem ocorrer, resultando em cirurgias ou tratamentos paliativos de alto custo.

2 – Adote – As pessoas podem adotar animais procurando os pets em abrigos públicos ou privados, ajudando os bichinhos que foram abandonados. Ao adotar um animal adulto já se sabe exatamente seu porte e temperamento, diminuindo o risco de surpresas com filhotes de procedência duvidosa.

3 – Conheça melhor o seu animal – É muito importante conhecer as características do animal que pretende criar, de acordo com o seu porte e temperamento. É natural que se espere atitudes semelhantes as dos seres humanos. No entanto, é necessário respeitar as diferenças e oferecer os cuidados necessários para que ele possa se desenvolver. É importante conhecer a raça, hábitos e temperamento antes de levar para casa, avaliando se combina com o estilo de vida da família. O ideal é uma consulta com o médico veterinário para orientar na escolha do animal e raça ideais.

3 – Passeios – Sempre que for passear com o seu animal, leve um saquinho para recolher suas fezes. Além de ser um exercício de cidadania e preservação domeio ambiente, é obrigatório por lei. Para segurança de todos e do seu animal, não se esqueça de colocar coleira e guia.

4 – Identifique o seu animal – Existem várias formas de identificar o animal e facilitar sua localização quando perdido. O implante de microchip é uma delas. Procure informações sobre o microchip em qualquer clínica veterinária da cidade. O seu bichinho também pode ter um RGA – Registro Geral do Animal, que possui um número de identificação, informações sobre o animal e o seu dono. Esse número deve ser colocado na coleira do animal. Uma outra alternativa é colocar na coleira os dados básicos como nome e telefone.

5 – Esterilização – A esterilização (castração) é uma das alternativas para se evitar as crias indesejáveis e animais soltos pelas ruas. Além de não prejudicar o animal, ela evita maus tratos e o abandono. Machos castrados evitam brigas por disputa territorial,  demarcação com urina em todos os lugares da casa, previve tumores de próstata e evita que fujam de casa atrás de fêmeas no cio. Já a castração nas fêmeas evita infecção uterina, diminui as chances de desenvolver tumores, evita a gravidez indesejada, o abandono de crias e os incômodos do cio.

6 – Cuidados importantes – A alimentação adequada e higienização do animal são de responsabilidade do próprio dono, assim como o ambiente em que ele vive. É importante também que ele tenha um espaço físico adequado à sua raça e tamanho.

7 – Proteja seu bichinho – As vacinações e o controle de ecto e endoparasitas (carrapatos, pulgas, vermes etc) são fundamentais para deixarem os animais prevenidos contra diversas doenças. Lembre-se de problemas graves de saúde pública no Brasil como a Leishmaniose, zoonose endêmica no território goiano, que afeta especialmente os cães. As zoonoses são doenças transmitidas dos animais ao homem, portanto, fique atento! Semestralmente, procure um médico-veterinário para avaliar a saúde do seu animal e lhe orientar sobre os procedimentos e a melhor forma de prevenir ou tratar as doenças.

8 – Cuide dele com carinho – O comportamento dos animais reflete a forma como são cuidados. Se for criado num ambiente com amor, carinho e responsabilidade, ele vai corresponder da mesma forma. Além disso, o dono precisa ter consciência de que o seu animal não vive isolado e que passeios e contatos com outros animais farão muito bem a ele. Observe sempre o comportamento do seu animal e quando notar algo diferente, procure um médico-veterinário imediatamente.

8 – Educação e adestramento – Além de fofos e saudáveis, todo dono sonha em ter um animal de estimação bem educado em casa. O adestramento profissional pode ser uma alternativa, mas com paciência você também pode treiná-lo em casa. Uma das técnicas recomendadas é a do reforço positivo, onde os animais aprendem por repetição, estímulos positivos e recompensa, valorizando as atitudes corretas e evitando maus tratos. Informe-se também com seu médico-veterinário sobre o assunto.

Maltratar animais é crime. Proteja o seu bichinho! Lei 9.605/98

Animais criados para morrer geram debate ético sobre caça na França

2016-12-03t120000z-118670961-rc1322b7d610-rtrmadp-3-france-weatherQuem caminha pelas florestas da França nessa época do ano pode ouvir os tiros. A caça faz parte da história do país há muitos milhares de anos. Pinturas rupestres encontradas em cavernas representam cenas de caça da pré-história. Mas ao defender valores como a não violência e o respeito aos seres vivos, uma parte da sociedade moderna tenta estabelecer uma nova relação com o mundo animal.

Atividade de lazer dos reis e da burguesia, a caça era feita com diferentes tipos de armamento e mesmo a ajuda de falcões. Na pintura, na literatura e na cultura francesa não faltam ricas histórias de caçadores e suas lendas. Em 1789, quando os privilégios foram abolidos pela Revolução Francesa, o que era uma atividade restrita à nobreza torna-se uma demanda da sociedade. E o que fora uma prática de sobrevivência, no final do século 19 vira um lazer, com a industrialização do fuzil.

Hoje qualquer cidadão francês pode ter acesso a uma permissão para matar animais. Os bichos mais frequentes na mira dos caçadores são: veados, cervos, javalis, lebres, coelhos, raposas, faisões, patos e perdizes. A lista inclui 91 espécies, o que faz da França um dos países campeões na Europa em diversidade de fauna abatida: 69 delas são de aves e mais de 20 estão em situação de risco. E o que sempre foi uma tradição, agora gera debate na sociedade. Ainda que a caça seja altamente regulamentada no país.

Um hobby regulamentado

Na França, o candidato deve seguir uma formação nas federações departamentais de caça e passar por um exame teórico e prático do Ofício Nacional da Caça e da Fauna Selvagem (ONCFS). Os menores de 16 anos podem caçar acompanhados.

Atualmente, esse é o hobby de 1,2 milhão de franceses. O país tem um dos mais longos períodos de caça da Europa, durando em média de setembro a fevereiro, com variações nos diferentes departamentos. Os tipos de animais, as quantidades abatidas e os horários são rigidamente controlados, assim como o tipo de armamento, os calibres e a distância mínima para atirar. O problema, portanto, não está na falta de regras, mas na natureza da atividade.

“O caçador é um apaixonado, ele ama o seu espaço, ele cuida do seu espaço e gerência as espécies, ele não quer dinheiro, ele simplesmente quer garantir o interesse das espécies”, afirma Nicolas Rivet, diretor-geral da Federação Nacional dos Caçadores da França.

“Se há um desequilíbrio entre as espécies, algumas podem dominar e há o risco de que outras desapareçam. Nós precisamos ter na natureza um equilíbrio entre as espécies, se não a mais forte vai se adaptar melhor e vai sobreviver em relação às outras e por isso precisamos de uma regulação”, completa.

Mas o assunto está longe de ser unanimidade. “Para nós, a caça na França não tem mais razão de ser, não tem nenhuma justificativa”, diz François Darlot , presidente da RAC, União por uma França sem Caça. “Evidentemente não é honrado dizer que se tenha prazer em matar, por exemplo. Não é algo que digamos facilmente. Então vamos encontrar justificativas, dizendo que há animais demais, e que é preciso intervir para regular, é o que eles dizem sempre”, rebate.

Nascido numa família de caçadores, Darlot denuncia um clima de insegurança no campo. “Os caçadores ocupam os espaços naturais na França. Eles se apropriam para a sua atividade e criam um clima de guerra contra a fauna. Não tem nenhum sentido declarar guerra ao mundo animal. Os animais não nos fazem mal, não nos querem mal, eles procuram simplesmente responder às suas necessidades vitais”, defende Darlot. “Mas os caçadores lhes declaram como nossos inimigos. Então eles criam um clima de guerra no ambiente rural, e colocam em risco todo mundo. O alcance de uma bala é de 3 a 4 quilômetros”, alerta.

Segundo os números oficiais, a cada ano são registrados 180 acidentes de caça na França, vinte deles mortais.

Cervo  — Foto: Queen Mary University of London/BBCCervo  — Foto: Queen Mary University of London/BBC

Cervo — Foto: Queen Mary University of London/BBC

Safari à francesa

O dia de um caçador normalmente começa cedo, quando eles se reúnem com amigos para caminhar nos bosques, acompanhados, muitas vezes, de cães especializados. Um bom almoço com o resultado da caça também faz parte dos usos e costumes arraigados na história do país.

“Meu pai foi caçador, então eu conheço bem a questão, eu acompanho desde que sou criança”, conta François Darlot. “Na época, há 50 anos, eles eram 2,5 milhões, hoje em dia eles são cerca de 1 milhão, o número diminui mas a caça é intensa na França. Porque o caçador como meu pai, que caçava no entorno da sua fazenda, por tradição familiar, hoje em dia foi substituído pelos matadores. Gente que vem para matar, que gosta de matar os grandes animais”.

Na França, os safaris de caça em lindos castelos e florestas particulares podem ser reservados pela internet. Os anúncios combinam boa gastronomia em meio às belezas naturais.

“Eu faço caça no parque. Só para os chamados troféus. Tem gente que vem do mundo inteiro, principalmente estrangeiros, que vem para caçar os grandes animais. Existem competições mundiais, quanto maior o animal, melhor a colocação do caçador”, explica Guillaume Roques Rogery, sócio-gerente da France Safaris, localizada em Aveyron, sudoeste da França.

Criada em 2009, a empresa alcança um faturamento de € 76.840 por ano, segundo números de 2013. A diária de caça nessa propriedade privada custa € 350 e o valor cobrado para matar um animal de grande porte, como um cervo, chega a € 7.200.

“O que os ecologistas não compreendem é que a caça de troféu resulta em muito dinheiro. Na África, por exemplo, é mais rentável que todas as outras atividades”, justifica.

Um negócio bilionário

A venda de armas, roupas e equipamentos também alimenta o negócio. Para melhorar a sua imagem, os caçadores franceses passaram a investir em projetos para manutenção dos ecossistemas.

“Hoje em dia os caçadores injetam na economia cerca de 7 bilhões de euros: 3,9 bilhões diretamente do faturamento da caça e 2,9 bilhões de serviços ligados aos ecossistemas, coisas que são feitas pelos caçadores para restaurar os habitats, plantar cercas-vivas, retirar espécies invasivas de locais úmidos, todo esse aporte que é feito pelos caçadores”, explica Nicolas Rivet, da Federação Nacional dos Caçadores da França.

“Há os que dizem que caçamos muito, mas há os que dizem que não caçamos o suficiente. Então há um paradoxo nessa sociedade. Os agricultores reclamam dos estragos feitos pelos animais selvagens e nos pedem para caçar mais, tornando a regulação necessária”, insiste.

Já entidades de proteção ambiental denunciam que a caça é incompatível com outros tipos de recreação ao ar livre, dificultando o desenvolvimento do turismo ecológico e impedindo a observação da vida selvagem.

“Então, o lado econômico, talvez haja ao vender armas, roupas e cartuchos, mas o déficit econômico ligado a essa atividade é também muito importante”, diz François Darlot, presidente da União por uma França sem Caça. “Ela inibe muitas outras atividades que têm impacto econômico, elas bloqueiam, por exemplo, passeios a cavalo, caminhadas ou passeios de bicicleta. Muitas pessoas não podem visitar o ambiente natural porque os caçadores os impedem”, denuncia. “Nós não nos interessamos pela parte econômica, não é porque uma atividade é economicamente interessante que ela deva ser encorajada na sociedade”, rebate, por fim.

 

Criados para morrer

A cada ano, cerca de 40 milhões de animais selvagens são mortos na França.

“A maior parte dos animais que são caçados na França são selvagens. Especialmente os javalis, veados e servos. Depois tem os animais criados, às vezes, como faisão e outros pássaros”, explica Nicolas Rivet, diretor-geral da Federação Nacional dos Caçadores.

“Há certos lugares em que há uma baixa da população, então nós soltamos os animais criados em cativeiro, de maneira a repovoar o território. Isso permite manter as populações de pássaros nesses lugares e fazê-las aumentarem”, argumenta Rivet. “Na floresta, não vemos a diferença entre um animal solto na natureza ou um selvagem, em termos de voo do animal e sua capacidade de se salvar, não há nenhuma diferença”, explica.

Contudo, muitos desses bichos vivem apenas algumas horas, ou dias. A criação de animais para servirem como alvos vivos é outro ponto controverso.

“Quando falamos de regulação, os caçadores soltam 20 milhões de animais na França provenientes de criadouros. Não são números que inventamos, mas são as associações de caça que compram animais de criadouros especializados, como faisões, perdizes, patos, lebres, coelhos, e que soltam na natureza para poder manter sua paixão ou tradição, como eles dizem”, questiona o presidente da RAC.

Entidades protetoras da fauna selvagem denunciam que a libertação de animais de cativeiro enfraquece as populações naturais, perturbando os ecossistemas.

“Eles multiplicaram por 12,9, em 40 anos, os javalis mortos, por 8,4 os cervos, por 9 os veados a cada ano. Então quer dizer que em 1976, por exemplo, nós matamos 60 mil javalis no território francês. Em 2016, 40 anos mais tarde, nós matamos 700 mil. Então isso não aconteceu por acaso”, afirma François Darlot. São os caçadores que organizaram a expansão de populações. E vai continuar, porque eles precisam”.

A Associação pela Proteção dos Animais Selvagens (Aspas) investigou alguns desses criadouros. Os vídeos mostram as condições de reprodução de 14 milhões de faisões e 5 milhões de perdizes criados para abastecer a caça. Em gaiolas individuais minúsculas ou em grandes aviários, os animais podem passar horas na escuridão contínua ou sob luz artificial, são mutilados, vítimas de colisões e asfixia por confinamento.

Quando finalmente são libertados, os que escapam das balas dificilmente sobrevivem por dificuldade de adaptação à vida selvagem, não sabem se alimentar ou se proteger, como explicam os pesquisadores que lançaram uma petição pedindo a interdição desses locais.

Pelo lado ético, as sociedades protetoras dos animais destacam trabalhos científicos comprovando que que os animais são seres sensíveis. Inúmeras pesquisas já demonstraram que mamíferos e aves, por exemplo, compartilham o nosso universo sensorial e emocional, experimentando sentimentos, vontades, medo e sofrimento.

“Quando é atingido por uma bala o animal morre, ele não sofre. O objetivo de todo o caçador não é ferir o animal, nós não queremos que eles sofram”, afirma Guillaume Rogery. “Quando caçamos um animal na minha propriedade, o fazemos com ética. Nós nos aproximamos, o animal tem quase a mesma chance que nós, a diferença é que temos uma carabina, mas ele tem sua chance de fugir. É um esporte nobre, quer dizer, se a gente tira uma vida então é preciso ter respeito. Não é à toa que esse era um esporte de reis”, conclui.

Lebre no campo — Foto: AFPLebre no campo — Foto: AFP

Lebre no campo — Foto: AFP

Um poderoso lobby

Para entidades como a União por uma França sem Caça não há dúvidas de que os caçadores constituem um poderoso lobby para defender ambições privadas contra o interesse geral da população, impondo legislação discordante dos desejos e expectativas da maioria.

“Hoje em dia os defensores da natureza, aqueles que amam os animais e que querem protegê-los em vez de destruí-los, são muito mais numerosos do que os caçadores. E mesmo assim os políticos não estão nem aí para a natureza, o equilíbrio natural, e mesmo a ética. O que lhes interessa é o poder político, e eles erram, porque os caçadores são pouco numerosos. E a população é cada vez mais hostil a essa atividade” diz François Darlot, presidente da RAC.

A caça pode ter sido a gota d’água para a renúncia do ex-ministro da Transição Ecológica da França, Nicolas Hulot, um famoso defensor da natureza. Ele deixou o cargo depois de uma reunião no Palácio do Eliseu, em agosto passado, para tratar da futura reforma da caça. Prevista para o ano que vem, ela tem sido criticada pelos defensores dos animais por supostamente colocar em risco espécies hoje protegidas.

À época, diante de representantes dos caçadores, o presidente da República, Emmanuel Macron, reiterou o seu apoio à prática da caça, concordando em diminuir o preço da licença nacional pela metade: de €400 para €200.

Em pleno século XXI, para uma parte dos cidadãos franceses, a caça é indigna da civilidade atual, e por isso condenável. Por outro lado, a tradição e o equilíbrio do meio rural são os argumentos mais usados por aqueles que defendem essa atividade.

“Antes, todas as espécies animais faziam migração, elas se regulavam naturalmente. Mas hoje, com toda a infraestrutura que os homens criaram, elas não podem mais fazer isso. Então, hoje, se as populações não são gerenciadas pelo homem, elas explodem. É o que acontece nesse momento na França com os javalis”, afirma Guillaume Roques Rogery, da France Safaris. “Na França os caçadores são mal vistos. Não temos mais jovens caçadores, pois se você é um jovem caçador e você diz na escola que caça, você é massacrado. Hoje as pessoas têm vergonha de caçar, enquanto não deveria ser uma vergonha, mas um orgulho, pois é a melhor ferramenta de conservação da fauna que existe”, defende.

“Os franceses acreditam ainda que é um mal necessário, que é preciso que regule, como eles dizem. A mídia repete o discurso dos caçadores, portanto falta informação. Mas quando as pessoas se dão conta de que não é isso, que a regulação pela caça é uma farsa, elas compreendem e dizem que isso não serve a nada”, conclui François Darlot, da RAC.

Enquanto isso, propostas como o desenvolvimento de corredores biológicos para a vida selvagem, supervisionados por especialistas, convivem com o uso do rifle para resolver os problemas do campo.

fonte: g1.globo.com