Concentração de gases causadores da mudança climática bate novo recorde

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirmou na última quinta-feira que a concentração de gases causadores da mudança climática bateu um novo recorde, só comparável à registrada entre três e cinco milhões de anos atrás.

“A ciência é clara: se não reduzirmos rapidamente as emissões de dióxido de carbono e de outros gases do efeito estufa, a mudança climática terá efeitos cada vez mais destrutivos e irreversíveis na vida na Terra”, disse o secretário-geral da organização, Petteri Taalas, um reconhecido cientista finlandês.

“Nossa oportunidade de atuar está a ponto de se esgotar”, acrescentou, para dizer no sentido de urgência que é preciso reverter as tendências de emissões de gases do efeito estufa, que retém o calor na atmosfera.

Taalas apresentou o Boletim da OMM de fim de ano sobre a concentração dos principais gases causadores desse fenômeno, que revela que – apesar dos compromissos internacionais para reduzir as emissões – não há indícios de que tenha se estabilizado e menos ainda de que tenha diminuído.

As consequências são uma mudança climática a longo prazo, o aumento do nível do mar, a acidificação dos oceanos e um maior número de fenômenos meteorológicos extremos.

Segundo os dados proporcionados à imprensa pela OMM, a concentração média de CO2 passou de 400,1 partes por milhão (ppm) em 2015 para 403,3 ppm em 2016 e para 405,5 ppm no ano passado.

Trata-se do principal gás de efeito estufa de longa duração na atmosfera e o mais recente nível de concentração detectada representa 146% do nível na era pré-industrial (diante de 1750).

A OMM também afirmou que aumentaram as concentrações de metano e óxido nitroso, e que reapareceu o CFC-11 (triclorofluorometano), um potente gás de efeito estufa cuja produção aumentou na Ásia oriental, onde é utilizado pela indústria.

O Boletim da OMM se baseia nas observações de seu Programa de Vigilância da Atmosfera Global, que documenta as mudanças nos níveis dos gases causadores do aquecimento do planeta como resultado de processos industriais, do uso de energia procedente de combustíveis fósseis, de práticas agrícolas intensivas e do desmatamento.

Nesse programa avalia-se a informação fornecida por 53 países.

A OMM disse que estes dados científicos se somam às provas fornecidas pelo Grupo Intergovernamental de Analistas sobre a Mudança Climática (IPCC, como é conhecido em sigla em inglês) de que as emissões líquidas de CO2 devem ficar em zero em 2050 para limitar o aumento da temperatura a 1,5 grau.

A redução a zero das emissões líquidas não diz que não haverão mais emissões, mas a quantidade que é incorporada à atmosfera deve ser igual à absorvida por sumidouros, naturais e tecnológicos.

FONTE: Agência EFE

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