Coreia do Sul condena líder de seita por estuprar fiéis

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Pastor sul-coreano Lee Jaerock chega ao Tribunal Central de Seul para participar de seu julgamento, em Seul, nesta quinta (22) — Foto: Jung Yeon-je / AFP

 

O líder de uma seita sul-coreana foi condenado nesta quinta-feira (22) a 15 anos de prisão acusado de estuprar oito mulheres, incluindo algumas que o consideravam Deus.Lee Jaerock, que nega as acusações, escutou o veredicto com os olhos fechados e não mostrou qualquer emoção diante de mais de 100 fiéis que assistiram o julgamento.

As vítimas do pastor Lee Jaerock “eram incapazes de opor resistência, pois estavam submetidas à autoridade religiosa absoluta do acusado”, afirmou o juiz Chung Moon-sung no tribunal do distrito central de Seul.O advogado do pastor acusou as denunciantes de mentir como forma de vingança depois que foram expulsas por terem violado as regras da igreja.

Lee Jaerock fundou a igreja de Manmin, de inspiração protestante, em Guro, bairro de Seul, em 1982. A congregação afirma ter 130.000 fiéis atualmente, conta com uma grande sede, um auditório luxuoso e o site destaca o grande número de milagres em seu templo.Após as revelações do movimento #MeToo, três fiéis denunciaram este ano o líder religioso, que as forçou a manter relações sexuais.

“Não fui capaz de resistir a ele. Era mais que um rei. Ele era Deus”, afirmou uma vítima, integrante da igreja desde a infância, em uma entrevista a um canal de TV.

O pastor disse a outra vítima que ela estava no paraíso e deveria ficar nua, como Adão e Eva no Jardim do Éden. “Chorei porque odiava fazer isto”, declarou. Oito mulheres denunciaram o pastor e o tribunal o declarou culpado por dezenas de estupros durante um longo período.

“Em seus sermões, o acusado sugeriu, direta ou indiretamente, que era o espírito santo”, destacou o juiz. E as vítimas pensavam que ele “era um ser divino com poderes divinos”, completou.

A devoção religiosa pode ser muito intensa na Coreia do Sul, onde 44% dos habitantes se declaram fiéis.

A maioria dos fiéis está vinculada a Igrejas reconhecidas, com frequência ricas e poderosas. Mas o país também possui muitas igrejas à margem, algumas delas envolvidas em casos de fraude, coação, “lavagem cerebral”, manipulação dos frequentadores e outras práticas sectárias.

Quase 60 pessoas afirmam ter essência divina no país, segundo especialistas.

(FONTE: Site G1)

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