Dois pássaros brasileiros foram extintos em 2018, mostra pesquisa

Novo estudo do grupo de conservação BirdLife International apontou que três espécies de aves foram completamente extintas em 2018. São elas: trepadeira-de-cara-preta, gritador-do-nordeste e limpa-folha-do-nordeste – estas duas últimas são brasileiras, encontradas entre Alagoas e Pernambuco.

Segundo a pesquisa, a extinção dos animais nos dias de hoje acontece até mil vezes mais rápida do que a taxa natural de mortes. “É desafiador saber se uma espécie foi realmente extinta”, disse Trond Larsen, ecologista da organização ambiental Conservation International, ao portal Mashable. “Por exemplo, se passarmos semanas ou até meses procurando indivíduos no último local conhecido de uma espécie, o que significa se não encontrarmos nenhum?”

A trepadeira-de-cara-preta ou poʻo-uli (Melamprosops phaeosoma) é uma ave passeriforme endêmica que habita a ilha de Maui, no Havaí, Estados Unidos.

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Já gritador-do-nordeste (C. mazarbarnetti) e limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) são pássaros da família Furnariidae, e ficaram em perigo pela destruição de seu habitat natural.

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Mamíferos

O estudo ainda indicou quais são as espécies mais ameaçadas de extinção no momento.

A vaquita (Phocoena sinus), rara toninha endêmica do norte do Golfo da Califórnia – também conhecida como marsuíno-do-golfo-da-califórnia, toninha-do-golfo, boto-do-pacífico e cochito – é o menor mamífero marinho da Terra e corre risco de desaparecer completamente.

De acordo com Sea McKeon, professor de biologia no St. Mary’s College, a extinção da vaquita pode ocorrer ainda em 2019, visto que existem apenas 30 indivíduos da espécie conhecidos. Além disso, capturar o bicho para tentar criá-lo em cativero não é seguro e pode apenas deixá-lo em maior perigo.

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Já em terra, o bicho ameaçado é o rinoceronte-branco ou rinoceronte de lábios quadrados (Ceratotherium simum). O último macho da espécie morreu em 2018 no Conservatório de Ol Pejeta, no Quênia. Atualmente existem apenas duas fêmeas vivas conhecidas.

Segundo o Mashable, cientistas embrionários estão desenvolvendo meios experimentais e sem precedentes para salvar o rinoceronte. Eles produziram com sucesso um embrião da espécie usando o esperma de machos mortos há muito tempo. O desafio é garantir que uma fêmea possa ter um parto sadio e seguro.

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Vida de inseto
As populações de insetos também continuam a despencar nas florestas do mundo, afetados principalmente pelas mudanças climáticas. “Nos últimos 20 anos, tenho observado declínios rápidos e extinções locais de insetos na região dos Andes-Amazônia”, afirmou Larsen. “Muitas espécies estão subindo montanhas onde as temperaturas são mais frias, mas eventualmente não há mais lugar para elas irem.”

A baixa de insetos também atinge a Europa. “A destruição de florestas tropicais de alta qualidade está prejudicando a população de insetos tropicais”, acrescentou Robin Verble, biólogo da Universidade de Ciência e Tecnologia do Missouri.

Boas notícias
O levantamento, no entanto, também trouxe apontamentos positivos. O Parque Nacional Yaguas, no Peru, tem 2 milhões de acres da floresta amazônica e concentra grande biodiversidade, sendo que muitas espécies silvestres, livres da influência humana, podem prosperar.

Espécies criticamente ameaçadas também mostraram sinais de recuperação. A ave conhecida como condor da Califórnia (Gymnogyps californianus) foi salva por medidas drásticas de conservação. Em 2018, pela primeira vez em décadas, um indivíduo deixou seu ninho para voar.

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Fonte: Revista Galileu

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