O ministro da Cultura da Itália, Alberto Bonisoli, anunciou um decreto-lei que obrigará os filmes a estrearem nas salas de cinema, de modo que apenas depois cheguem às plataformas digitais.

“Assinarei hoje um decreto no qual se regulam as bases sobre como os filmes têm que ser distribuídos, primeiro às salas e depois às plataformas. Acho importante assegurar a quem administra uma sala de cinema a tranquilidade de programar os filmes sem que esses estejam simultaneamente disponíveis também na internet”, disse Bonisoli em mensagem enviada a um ato da associação de comerciantes Confcommercio.

Com a nova medida, a Itália pretende colocar ordem após as últimas polêmicas entre os administradores das salas de cinema e plataformas como a Netflix que ocorreram nos últimos festivais de Veneza (Itália) e Cannes (França).

Durante a última edição do festival de Veneza, os gerentes de salas de cinema italianas criticaram o fato de que seis filmes incluídos no evento e produzidos pela Netflix estreariam simultaneamente nas telonas e na internet.

As duas grandes associações de salas de cinema do país, a Associação Nacional de Expositores de Cinema (ANEC) e a Associação Nacional de Expositores Multiplex (ANEM) consideraram que “era um assunto muito delicado que deveria ser encarado de acordo com todos os expositores do setor cinematográfico”, sobretudo em um período “de grave crise” para a indústria do cinema na Itália.

A Netflix decidiu não exibir no último Festival de Cannes depois que os organizadores passaram a obrigar que os filmes em competição estreassem nas salas de cinema francesas antes de serem exibidos na televisão.

Até então, na Itália não existiam normas sobre esse assunto, apenas era respeitado o costume de esperar 105 dias desde a primeira exibição nos cinemas para que o filme chegasse a outras plataformas.

Para o ministro da Cultura italiano, a medida servirá para ajudar a “melhorar as salas e fazer com que sejam cada vez mais capazes de oferecer uma experiência única”.