Preservação de Goiânia foi debatida em simpósio de urbanismo

     mesa“O momento crítico que o país atravessa é uma oportunidade para Goiânia se posicionar na vanguarda da discussão ambiental e urbanística, por sua posição cultural, histórica e geográfica no cenário nacional.” A opinião é da arquiteta e urbanista Narcisa Abreu Cordeiro. O encontro realizado no auditório do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG). reuniu especialistas e autoridades de diversas áreas do conhecimento para abordar a história de Goiânia, seu presente e seu futuro, sob as perspectivas do urbanismo, da arquitetura, ações de preservação e patrimônio histórico. Narcisa, que foi a realizadora do evento, explicou que o simpósio teve como objetivo “confrontar o passado e o presente da capital goiana para novos saltos ao amanhã”.

HISTÓRIA E FUNDAÇÃO – A primeira palestra foi proferida pela doutora Jacira Rosa Pires, também arquiteta e urbanista, que discorreu sobre a História e Fundação de Goiânia, sob a perspectiva da obra de Attilio Corrêa Lima. Ela falou sobre a conjuntura política da época, que influenciou o surgimento da nova capital. “Goiânia veio junto com a popularização do urbanismo, que abria novos caminhos. Era necessário ordenar o espaço diante de correntes modernistas que floresciam pelo mundo, em especial as chamadas cidades jardim”, disse. Jacira afirmou que Attilio incorporava conceitos da racionalidade espacial, hierarquização de vias, manutenção de espaços verdes, zonas de uso e outros conceitos modernos.

Em seguida, a doutoranda arquiteta e urbanista Maria Ester de Souza abordou os Planos Diretores de Goiânia, entre 1933 a 2018. O primeiro plano orientou a urbanização de uma cidade com 15 mil habitantes e expectativa de expansão para 50 mil. Segundo ela, nos primeiros dez anos, Goiânia era um canteiro de obras, com escassas moradias e moradores. Pouco tempo depois, a cidade vivia um crescimento extraordinário, triplicando a população entre 1950 e 1960, passando de 53 mil para 150 mil moradores. Na década de 70 já eram 400 mil e nos anos 90 quase 1 milhão, chegando atualmente a 1,5 milhão. A região metropolitana de Goiânia abriga, segundo estimativas, cerca de 2,5 milhões de pessoas.

Maria Ester mostrou fatos marcantes ao longo da história da capital, como a ocupação urbana da região noroeste com o surgimento do Jardim Nova Esperança em 1979, inauguração do primeiro grande shopping, o Flamboyant, no Jardim Goiás em 1981, e a construção meteórica da Vila Mutirão, em 1983. “Na década seguinte surgem os loteamentos tipo condomínios fechados que abarcam a classe média alta da cidade e, no início do século XXI, os grandes parques com seus entornos repletos de edifícios”, relatou.

ARQUITETURA RESIDENCIAL – Na sequência, a palestra foi da doutoranda arquiteta e urbanista Simone Borges Camargo de Oliveira, com o tema História da Arquitetura Residencial em Goiânia, entre 1930 e 1960. Ela explicou que nas décadas de 1930 e 1940, havia basicamente três modelos de residências na capital: as casas populares, as casas tipo e as casas tipo modelo ou especial. “As famílias com maior poder aquisitivo construíam suas casas com características art déco, especialmente na Avenida Tocantins e nas ruas 16 e 25”, relembra.

Ela afirmou que eram comuns casas ecléticas, com a combinação de mais de um estilo e mostrou fotos de casas construídas à época. Ela lamentou porém, que várias dessas residências já tenham sido demolidas e previu que nos próximos seis anos, talvez já não existam mais casas nesses estilos em Goiânia. Simone também destacou as moradias em estilo moderno e moderno de transição, construídas entre as décadas de 1950 e 1970 e a arquitetura brutalista. Segundo a pesquisadora, “Goiânia possui casas consideradas joias do brutalismo mundial”.

PATRIMÔNIO ARTÍSTICO E CULTURAL – A última palestra teve como tema o Patrimônio Artístico e Cultural de Goiânia, com a apresentação do trabalho técnico da Gerência de Patrimônio da Secretaria de Cultura de Goiânia (Secult), pela especialista arquiteta e urbanista Luana de Araújo Noleto da Veiga Jardim e pela mestre Leandra de Brito Rodrigues.

Elas apresentaram alguns projetos de preservação da Gerência de Patrimônio e explicaram como se dá o processo de tombamento. “Ao contrário do que muita gente pensa, um bem tombado pode ser vendido, alugado, ter seu uso modificado e pode ser reformado, mediante autorização”. Segundo elas, o que não pode é demolir, descaracterizar e fazer reformas sem autorização. As arquitetas da Secult também explicaram o que é o tombamento imaterial, que leva em consideração os saberes, lugares, celebrações e formas de expressão.

fonte: imprensa apc prop

 

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